Anton Walter Smetak nasceu no dia 12 de fevereiro de 1913, em Zurique. Filho de um casal checo que se radicara na Suíça, iniciou sua formação musical com o pai, professor e exímio tocador de cítara. Sonhava ser pianista, mas um acidente que lhe tirou um pouco da agilidade na mão direita acabou encaminhando o jovem Smetak para o violoncelo. Estudou 4 anos no Mozarteum de Salzburg, diplomando-se como concertista junto a Pablo Casals, no Conservatório de Viena, em 1934.
As dificuldades financeiras o levam a tentar a sorte no Novo Mundo. Chega ao Brasil em 1937, para descobrir atônito que a orquestra sinfônica que o contratara, em Porto Alegre, já não existia. Garante a sobrevivência, em São Paulo e Rio de Janeiro, tocando em festas, cassinos e orquestras de rádio; acompanhando cantoras estrangeiras e até Carmem Miranda. Décadas mais tarde diria: " concluí que era preferível me envolver com a desordem e a liberalidade dos trópicos do que submeter-me às misérias européias semeadas por Adolfo Hitler."
Em
1957 H.J. Koellreuter o chama para a Universidade Federal da Bahia, em
Salvador. Lá, inicia suas pesquisas sonoras e passa a se interessar vivamente
pela teosofia. No subsolo da Escola de Música monta sua oficina/laboratório,
onde viria a inventar e construir, utilizando-se de materiais não convencionais
como a cabaça, plástico, isopor e bobinas, cerca de 150 instrumentos musicais
- as "plásticas sonoras".
Compositor, teórico musical e místico esotérico, pesquisador radical e incansável, Walter Smetak exerceu um grande fascínio em toda uma geração de músicos brasileiros, tanto no meio erudito como no popular. Aliás, foram os jovens da geração tropicalista, e posteriores, os que mais deram ouvidos a esse professor excêntrico, que cruzava as ruas de Salvador montado numa velha BMW que chamava de "a prostituta da Babilônia". Gilberto Gil, Rogério Duarte, Gereba, Tuzé de Abreu, Djalma Correia e Marco Antônio Guimarães (grupo Uakti) foram alguns dos que beberam diretamente de sua fonte.
Faleceu no dia 30 de maio de 1984, em Salvador. Deixou dois discos gravados: um pela Philips, outro pela Marcus Pereira ("Interregno"); três peças de teatro e cerca de trinta livros inéditos. Seus instrumentos encontram-se reunidos na Biblioteca Reitor Macedo Costa, no Campus de Ondina (Salvador).