"Cole Porter, George Gershwin - Canções, Versões"
(Geléia Geral)

 

"Cole Porter, George Gershwin - Canções, Versões" é a realização do letrista Carlos Rennó, reunindo pela primeira vez em disco um conjunto de seus trabalhos como versionista. O CD apresenta uma seleção de catorze músicas dos dois grandes compositores da era clássica da canção americana - sete de cada. Vertidas para o português, elas são interpretadas por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Elza Soares, Rita Lee, Tom Zé, Zélia Duncan, Cássia Eller, Sandra de Sá, Ed Motta, Paula Toller, Carlos Fernando, Jussara Silveira, Mônica Salmaso e Jane Duboc.
O repertório reúne canções dos anos 20 aos 40 que Cole Porter (1891 - 1962) e George (1898 - 1937) e Ira Gershwin (1896 - 1983) compuseram para musicais da Broadway ou Hollywood.
Rodolfo Stroeter fez a produção musical, que contou com arranjos dos maestros Dori Caymmi (cinco), Nelson Ayres (quatro), Ruriá Duprat e Cláudio Leal Ferreira. Um outro foi criado por Naylor Proveta e Walmir Gil, ambos da Banda Mantiqueira, que faz uma participação especial no disco. E dois tiveram criação coletiva, do grupo base que tocou em todo disco. Onze faixas receberam seções de cordas feitas por músicos das principais orquestras de São Paulo.
Carlos Rennó, produtor artístico do CD, é autor de todas as versões com exceção de uma, do poeta e tradutor Augusto de Campos. Em duas versões Rennó teve a colaboração do poeta e tradutor Nelson Ascher; e em uma, de Charles Perrone, professor americano de literatura brasileira da Universidade da Flórida, tradutor de poesia e estudioso de MPB.
"Cole Porter, George Gershwin - Canções, Versões" constitui-se uma obra musical única, por conter as únicas versões de músicas de George e Ira Gershwin autorizadas. Há anos os descendentes e representantes da obra dos compositores não têm permitido que se façam e gravem versões de canções da dupla em outra língua em nenhuma parte do mundo. A autorização só dada no presente caso, pela seriedade dos critérios estéticos empregados nas atuais versões. Todas elas foram traduzidas para o inglês, de volta, e só então aprovadas.
Em seu trabalho, Rennó pôs em prática critérios modernos de versão aplicados anteriomente no seu livro "Cole Porter - Canções, Versões"(editora Paulicéia, 1991), que teve as colaborações de Augusto de Campos, Caetano Veloso e Cláudio Leal Ferreira. De acordo com essa visão, busca-se traduzir não apenas o sentido e o espírito das letras originais, mas também a forma e o estilo nelas exercidos. Tendo pela frente versos de letristas sofisticados como Porter e Ira Gershwin (o parceiro de George), a aplicação de um rigor literário ao trabalho se fez particularmente necessária.
"Cole Porter, George Gershwin - Canções, Versões" é um trabalho de tradução também no plano musical. O disco teve por objetivo transpor para uma linguagem de MPB moderna os elaborados clássicos dos dois gênios da música americana e mundial do passado. Ao utilizar seis diferentes arranjadores, acabou fornecendo uma visão múltipla, a partir de pontos de vista diversos mas sempre brasileiros, da obra original.

Os produtores do CD

Carlos Rennó tem músicas compostas, entre outros, com Arrigo Barnabé, Gilberto Gil, Lenine, Rita Lee e Tom Zé. Foi o organizador do livro "Gilberto Gil - Todas as Letras" (Companhia das Letras). Concebeu e produziu o CD coletivo com musicalizações de trechos do livro "Canção do Divino Mestre" (Companhia das Letras), de Rogério Duarte.
Rodolfo Stroeter é baixista, produtor e compositor. Tem produzido e atuado em discos de Mônica Salmaso, Marlui Miranda, Joyce, Gilberto Gil, Pau-Brasil (grupo instrumental de que faz parte), Banda Mantiqueira e Orquestra Jazz Sinfônica, entre outros.

 
Ouça a canção...  
Gilberto Gil - "Um dia de garoa" ("A Foggy Day", de George e Ira Gershwin) - O "foggy day" em Londres, desse que é um dos mais célebres clássicos gershwinianos (composto para a interpretação, no cinema de Fred Astaire, em 1937), virou "um dia de garoa" em São Paulo, com direito até a citação do nome do Masp (o Museu de Arte de São Paulo), no trecho em que o original se refere ao British Museum. O clássico "Sampa" também é aludido na letra, uma das razões por que um ilustre baiano, Gilberto Gil, foi chamado a gravar a canção vertida.