Produzido
por Mosca e Nilo Romero, que já tinha trabalhado nos dois solos
anteriores do cantor e compositor, Contrasenso é um álbum
pop brasileiro, na melhor acepção do híbrido
e abrangente rótulo. Ecos dos Beatles na guitarra a la George Harrison
da faixa de abertura, "A Seta e o Alvo", por exemplo; do samba-choro
carioca em "Paixão e Medo"; blues rural que parece ter
saído das margens do Mississipi em "Cammom Grave"; o já
citado baião "Relampiano" com a participação
do parceiro Lenine, voz e violão; funk dançante, "Virtual(mente)"
com a luxuosa canja de Lulu Santos, voz e sitar; uma canção
em compasso de valsa "Efêmero" ou um pop que pode ter saído
do Expresso 2222 de Gil "Contrasenso", se alternam nas 12 faixas
do disco.
Sete das 12 composições têm letra e música de Moska. Nas restantes, ele dividiu música e/ou letra com gente como o artista gráfico Fernando Zarif, o Titãs Branco Mello, o produtor/baixista Nilo Romero e o cantor e compositor Lenine. Sendo que "Virtual(mente)" trata-se de uma versão, assinada por Moska e Romero, para "Road Thang" (Cook e Slater).
Com passagem pelo coral Garganta Profundda e pelo grupo Inimigos do rei, em seu primeiro disco solo, Vontade(1993), Paulinho Moska mostrou uma veia de compositor e talento como intérprete até então desconhecidos. No segundo CD, Pensar é Fazer Música (1995), ele ampliou as fronteiras de seu idioma pop, incorporando mais da MPB e também indo beber da filosofia. Este segundo disco foi apresentado por Gilberto Gil, que não popou elogios no texto do release. Em Contrasenso, Paulinho Moska mostra ter crescido mais, confirmando a aposta de Gil que, com certeza, agora também assinaria embaixo.
Antonio Carlos Miguel