NOVOS DISCOS
Selo Geléia Geral
Tenho acompanhado de perto essa trajetória que Adriana empreendeu
do primeiro show ao disco pronto. Mesmo parecendo "coruja", não
posso deixar de dizer que o resultado desse primeiro disco, que tecnicamente
é muito bem cuidado, me deixou orgulhoso e feliz. Adriana tem humildade
e não tem o menor problema em dividir a cena com ninguém.
Tem sempre músicos excelentes ao seu lado, pessoas com quem ela
faz questão de dividir os aplausos e a quem ela sempre dá
o maior espaço. Essa é uma qualidade rara principalmente
entre os artistas que começam um novo trabalho, sempre ávidos
pela glória pessoal imediata e indivisível. Essa é
apenas uma das qualidades dessa cantora de voz clara e potente, que sabe
escolher o que cantar, por saber exatamente como cantar cada canção.
Cada música desse disco tem a "cara dela". Mesmo nas regravações,
ela imprime a sua marca pessoal trazendo um gosto de novidade ao que parecia
definitivo (como é o caso de "Bandeira" de Zeca Baleiro
e "Frases Ventias" de Carlinhos Brown). Ela tem muita personalidade,
isso é claro para os que trabalham e convivem com ela, como também
fica claro para quem ouve o disco. Não procura imitar ninguém,
segue sua própria intuição e sensibilidade. Ouçam,
comprem o disco, recomendem para os amigos, mas principalmente vejam um
show dela. Vocês vão ver que não estou exagerando,
e vão entender perfeitamente o que eu digo.
Celso Fonseca
Véio Mangaba
Na minha vida que já vai tão longe, tive muitas e variadas
alegrias. Uma delas, foi assistir ao aparecimento de alguns artistas que,
com os pés profundamente fincados no chão da cultura brasileira,
começaram a desenvolver seu trabalho criador em harmonia com o ritmo
e a pulsação do nosso povo. Entre estes bastaria citar os
casos exemplares de Givan Samico, Romero Andrade Lima, Arnaldo Barbosa,
Antônio José Madureira, Antônio Nóbrega e outros.
Walmir Chagas é nosso companheiro das primeiras horas no movimento
armorial. Criado junto de André, Antúlio e Antônio
José Madureira, praticou a música armorial no Trio Romançal
e a dança no Balé Popular do Recife. E de repente baixou
sobre ele a figura endiabrada de um Velho do Pastoril, O Velho Mangaba,
que fez em relação a Walmir aquilo que as divindades da religião
afro-brasileira fazem com seus devotos, transformando-os em seus cavalos:
assenhoreou-se dele e avassalou de tal maneira seu espírito e seu
corpo que hoje muitas pessoas ignoram até que em Pernambuco, existe
um artista chamado Walmir Chagas - mas todo mundo já conhece o Velho
Mangaba. Por tudo isso é que comecei a escrever estas palavras falando
em minhas alegrias: é que, com sua bela arte, Walmir Chagas passou
a figurar bravamente na lista dos artistas que me ajudam a manter o entusiasmo
até no meu próprio trabalho de criação.
Ariano Suassuna