Arnaldo,
Estou no ônibus circulando em tourneé pela Europa e desde
que nos encontramos em Londres há 10 dias tenho escutado o seu disco
sem parar, pensando naquele seu convite para escrever o release.
Primeiro de tudo: Como eu posso falar de você, meu irmão,
parceiro querido, companheiro de quem tenho a sorte grande de ser contemporânea,
sem parecer suspeita aos olhares mais rigorosos?
Fico imaginando que no amor não há nem nunca haverá
culpado.
E essa é a minha redenção.
Sendo assim, eu me entrego e assumo que sinto o maior orgulho por você,
que fico toda contente de vê-lo assim, tão bem acompanhado,
seja do Chico Neves, seja dos nossos pais musicais Benjor e Cassiano, seja
da poesia de Alice Ruiz e do Leminski e, é claro, do resto da família,
irmãos e primarada - Scandurra, Davisão, Paulo Tatit, Miklos,
Péricles, Pedro Ito, Pedro Sá, Zaba, Suzano, Barone, Nando,
Brown, todos assim unidos fazendo história ao seu redor.
Quanto ao repertório, o assunto é longo e requer bem mais
que algumas linhas via fax intercontinental, mas as novíssimas com
Benjor, as gravações autorais de "Volte para o seu lar"
e "Socorro", que eu e a Cássia já havíamos
gravado, as inéditas que eu já conhecia de nossas casas e
que existindo agora para o mundo parecem ainda mais reais e as desconhecidas
mesmo para mim, reiteram o quanto você é preciso, em todos
os sentidos, e como é bom ver pelo seu olhar.
Arnaldo, que Deus te abençoe e que você continue enchendo
de música e poesia o nosso dia a dia.
A gente agradece porque a vida é bem melhor assim.
Saudades e beijos,
Marisa Monte