GELÉIA GERAL

    Letra de Torquato Neto
    Música de Gilberto Gil
    1968

    Um poeta desfolha a bandeira
    E a manhã tropical se inicia
    Resplandente, cadente, fagueira
    Num calor girassol com alegria
    Na geléia geral brasileira
    Que o Jornal do Brasil anuncia

    Ê, bumba-yê-yê-boi
    Ano que vem, mês que foi
    Ê, bumba-yê-yê-yê
    É a mesma dança, meu boi

    A alegria é a prova dos nove
    E a tristeza é teu porto seguro
    Minha terra é onde o sol é mais limpo
    E Mangueira é onde o samba é mais puro
    Tumbadora na selva-selvagem
    Pindorama, país do futuro

    Ê, bumba-yê-yê-boi
    Ano que vem, mês que foi
    Ê, bumba-yê-yê-yê
    É a mesma dança, meu boi

    É a mesma dança na sala
    No Canecão, na TV
    E quem não dança não fala
    Assiste a tudo e se cala
    Não vê no meio da sala
    As relíquias do Brasil:
    Doce mulata malvada
    Um LP de Sinatra
    Maracujá, mês de abril
    Santo barroco baiano
    Superpoder de paisano
    Formiplac e céu de anil
    Três destaques da Portela
    Carne-seca na janela
    Alguém que chora por mim
    Um carnaval de verdade
    Hospitaleira amizade
    Brutalidade jardim

    Ê, bumba-yê-yê-boi
    Ano que vem, mês que foi
    Ê, bumba-yê-yê-yê
    É a mesma dança, meu boi

    Plurialva, contente e brejeira
    Miss linda Brasil diz "bom dia"
    E outra moça também, Carolina
    Da janela examina a folia
    Salve o lindo pendão dos seus olhos
    E a saúde que o olhar irradia

    Ê, bumba-yê-yê-boi
    Ano que vem, mês que foi
    Ê, bumba-yê-yê-yê
    É a mesma dança, meu boi

    Um poeta desfolha a bandeira
    E eu me sinto melhor colorido
    Pego um jato, viajo, arrebento
    Com o roteiro do sexto sentido
    Voz do morro, pilão de concreto
    Tropicália, bananas ao vento

    Ê, bumba-yê-yê-boi
    Ano que vem, mês que foi
    Ê, bumba-yê-yê-yê
    É a mesma dança, meu boi


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