CHORORÔ

    Gilberto Gil
    1978

    Tenho pena de quem chora
    De quem chora tenho dó
    Quando o choro de quem chora
    Não é choro, é chororô

    Quando uma pessoa chora seu choro baixinho
    De lágrima a correr pelo cantinho do olhar
    Não se pode duvidar
    Da razão daquela dor
    Não se pode atrapalhar
    Sentindo seja o que for

    Mas quando a pessoa chora o choro em desatino
    Batendo pino como quem vai se arrebentar
    Aí, penso que é melhor
    Ajudar aquela dor
    A encontrar o seu lugar
    No meio do chororô

    Chororô, chororô, chororô
    É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar
    Chororô, chororô, chororô
    É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar

    Chororô, chororô, chororô
    É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar
    Chororô, chororô, chororô
    É mágoa, é muita água, a gente pode se acabar

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