BAIÃO ATEMPORAL

    Gilberto Gil
    1993

    No último pau-de-arara de Irará
    Um da família Santana viajará

    Levará uma semana até chegar
    Junto com mais dois ou três outros cabras que estarão lá
    No último pau-de-arara de Irará

    Se essa viagem comprida fosse um cordel
    Seria boa saída acabar no céu

    Só que este conto que eu canto é pra lá de zen
    Não tem sentido, não serve pra nada e é pra ninguém
    Pra ninguém botar defeito e não ter porém

    Basta pensar que Irará poderá não ser
    Que os paus-de-arara de lá já não têm porquê

    Porque os tempos passaram e passarão
    Tudo que começa acaba, e outros cabras seguirão
    Cruzando o atemporal do tao do baião

    © Gege Produções Artísticas LTDA.