A RUA

    Música de Gilberto Gil
    Letra de Torquato Neto
    1965

    Toda rua tem seu curso
    Tem seu leito de água clara
    Por onde passa a memória
    Lembrando histórias de um tempo
    Que não acaba

    De uma rua, de uma rua
    Eu lembro agora
    Que o tempo, ninguém mais
    Ninguém mais canta
    Muito embora de cirandas
    (Oi, de cirandas)
    E de meninos correndo
    Atrás de bandas

    Atrás de bandas que passavam
    Como o rio Parnaíba
    Rio manso
    Passava no fim da rua
    E molhava seus lajedos
    Onde a noite refletia
    O brilho manso
    O tempo claro da lua

    Ê, São João, ê, Pacatuba
    Ê, rua do Barrocão
    Ê, Parnaíba passando
    Separando a minha rua
    Das outras, do Maranhão

    De longe pensando nela
    Meu coração de menino
    Bate forte como um sino
    Que anuncia procissão

    Ê, minha rua, meu povo
    Ê, gente que mal nasceu
    Das Dores, que morreu cedo
    Luzia, que se perdeu
    Macapreto, Zé Velhinho
    Esse menino crescido
    Que tem o peito ferido
    Anda vivo, não morreu

    Ê, Pacatuba
    Meu tempo de brincar já foi-se embora
    Ê, Parnaíba
    Passando pela rua até agora
    Agora por aqui estou com vontade
    E eu volto pra matar esta saudade

    Ê, São João, ê, Pacatuba
    Ê, rua do Barrocão


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