ÁGUA DE MENINOS

    Letra de Capinan
    Música de Gilberto Gil
    1966

    Na minha terra, Bahia
    Entre o mar e a poesia
    Tem um porto, Salvador
    As ladeiras da cidade
    Descem das nuvens pro mar
    E num tempo que passou
    Toda a cidade descia
    Vinha pra feira comprar

    Água de Meninos
    Quero morar
    Quero rede e tangerina
    Quero peixe desse mar
    Quero vento dessa praia
    Quero azul, quero ficar
    Com a moça que chegou
    Vestida de rendas, ô
    Vinda de Taperoá

    Por cima da feira, as nuvens
    Atrás da feira, a cidade
    Na frente da feira, o mar
    Atrás do mar, a marinha
    Atrás da marinha, o moinho
    Atrás do moinho, o governo
    Que quis a feira acabar

    Dentro da feira, o povo
    Dentro do povo, a moça
    Dentro da moça, a noiva
    Vestida de rendas, ô
    Abre a roda pra sambar

    Moinho da Bahia queimou
    Queimou, deixa queimar
    Abre a roda pra sambar

    A feira nem bem sabia
    Se ia pro mar ou sumia
    E nem o povo queria
    Escolher outro lugar
    Enquanto a feira não via
    A hora de se mudar
    Tocaram fogo na feira
    Ah, me diga, minha sinhá
    Pra onde correu o povo
    Pra onde correu a moça
    Vinda de Taperoá

    Água de Meninos chorou
    Caranguejo correu pra lama
    Saveiro ficou na costa
    A moringa rebentou
    Dos olhos do barraqueiro
    Muita água derramou

    Água de Meninos acabou
    Quem ficou foi a saudade
    Da noiva dentro da moça
    Vinda de Taperoá
    Vestida de rendas, ô
    Abre a roda pra sambar

    Moinho da Bahia queimou
    Queimou, deixa queimar
    Abre a roda pra sambar

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