A
pedra do meio-dia ou Artur e Isadora (Literatura de
Cordel)Uma história fantástica, que leva o leitor a mundos distantes e mágicos à maneira dos cantadores de cordel. A história começa descrevendo Artur, um andarilho valente que em sua caminhada pela floresta salva uma mocinha das garras de uma onça traiçoeira. A moça, Isadora, precisa encontrar a pedra do meio-dia para salvar seu reino enfeitiçado por um gigante com um sortilégio atroz. Admirado com a coragem da donzela, Artur irá ajudá-la auxiliado por uma voz que sussura conselhos e lhes entrega uma sacola de couro encantada.
Bráulio Tavares oferece ao leitor não só uma narrativa ficcional cativante e sensível como também o insere em uma tradição que nasceu na Europa do século XVII e chegou ao Brasil com a colonização portuguesa: literatura de cordel. A pedra do meio-dia ou Artur e Isadora, pertence ao ciclo dos "romances" desse gênero, onde estão inseridos os cordéis mais populares que contam histórias fantásticas ou maravilhosas.
Como nos demais "romances" de cordel, Artur e Isadora traz um tema muito próximo aos da literatura infantil produzida nas metrópoles. Como Bráulio Tavares esclarece "embora nas grandes cidades exista uma separação entre literatura realista dos adultos e a literatura fantasiosa das crianças, no sertão, as crianças, os velhos e os adultos envolvem-se com o mesmo grau de intensidade com histórias fantásticas narradas nos folhetos de cordel". Isto porque o escritor de cordel mistura sem a menor cerimônia seu próprio mundo ao mundo de seus personagens.
Narrado em estrofes de 6 versos de 7 sílabas, as
sextilhas, Artur e Isadora obedece rigortosamente às regras da literatura
de cordel. O segundo, o quarto e o sexto verso rimam entre si, os demais
não. Sendo que a contagem das sílabas dos versos acaba na
sílaba tônica da última palavra da linha. Assim, o
número de sílabas gramaticais nunca coincide com o número
de sílabas métricas.