O Viramundo (ao vivo)
1972/1976 Universal (Caixa Ensaio Geral)

 
Qualquer pessoa que analise a carreira de Gilberto Gil verificará sua predileção pelos discos ao vivo. Oficialmente até agora ele tinha seis registros de palco, mas somente um em sua fase inicial de 10 anos pela Polygram. "Gilberto Gil, O Viramundo" cobre o período posterior ao retorno de Gil de seu exílio londrino, quando pôs o pé na estrada Brasil adentro na qualidade de bandleader. Não fosse a saudade do Brasil e a valorização de nossas origens em seu repertório, Gil certamente teria se transformado num roqueiro (nos anos seguintes, já por outra gravadora, ele transformou-se num ícone pop e o filme "Corações a Mil" é uma prova disso).
A partir de diversos registros de shows encontrados no acervo da Polygram, pudemos montar um verdadeiro documentário em áudio daqueles anos inesquecíveis para quem acompanhava os longos shows de Gil. Inevitavelmente duplo, o disco cobre desde o primeiro show de Gil & Caetano no Teatro Municipal (RJ, março de 1972) até seu show de despedida no Teatro João Caetano (RJ, janeiro de 1977), antes de seguir para Lagos com uma turnê que mudou a sua vida. "Gilberto Gil, O Viramundo" traz performances que se justificam. "Ele e eu", "Back in Bahia", "Lamento Sertanejo" e "Gaivota" entram em versões acústicas e muitas aparecem pela primeira vez em registro alternativo à versão original de disco. Outras, como "Músico Simples (gravada por Johnny Alf) e "Queremos Saber" (gravada por Erasmo Carlos), aparecem em seus registros na voz de seu autor.
"Baby Hippie" e "Planeta dos Macacos" são graciosas performances de músicas do parceiro e amigo Jorge Mautner, mas o público gostará de ouvir pela primeira vez as inéditas "O Bom Jogador", "Brand New Dream" e "Sociedade Afluente". Nenhuma destas músicas chegou ao estúdio nem tampouco ao disco, muito embora "Brand New Dream" tenha sido gravada e lançada como "Cut That Out" por Sérgio Mendes num disco dos anos 70.
 
Marcelo Fróes
setembro de 1998