Caetano Veloso é um dos artistas que maior influência vem exercendo
na cultura brasileira nos últimos trinta anos. Cantor e compositor de primeira
linha da MPB, sua importância transcende o âmbito musical. Letrista de
grande sofisticação, goza de reputação de poeta mesmo entre literatos eruditos.
Como intelectual, emite pensamentos originais e complexos sobre arte, cultura,
política e comportamento; sobre o Brasil e o seu lugar, no mundo e na história.
Boa parte de suas idéias, expostas em textos e declarações, acha-se poeticamente
contida em suas canções.
Nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 1942. Iniciou sua carreira artística em Salvador, participando em 1964 do show "Nós, por exemplo". Em 1965 muda-se para São Paulo, onde liderou o Tropicalismo (1967-68), movimento de ruptura que aboliu as fronteiras entre o velho e o novo, entre o nacional e o estrangeiro, na música popular brasileira. Datam dessa fase as canções-manifesto "Alegria, alegria" e "Tropicália". Com o acirramento do regime ditatorial, Caetano foi preso e exilado, junto com seu "irmão-camarada" Gilberto Gil. Passou dois anos em Londres.
A partir dos anos 70, a admiração e o sucesso crescentes fizeram dele um dos autores brasileiros mais gravados e executados. Pouco a pouco Caetano foi erguendo uma obra de clássicos, entre os quais citam-se também "Sampa", "Um índio", "Gente", "Menino do Rio", "O leãozinho", "Língua", "Fora de ordem" e "Haiti".
Cantor aprimorado, compositor eclético, Caetano, um filho da bossa nova, tem trafegado por gêneros que vão do samba ao tango, do pop ao rock, do repente ao rap, do bolero ao reggae. Em seus discos e shows, conjuga com naturalidade o belo e o novo, o culto e o popular, o singelo e o intelectual. Já fez um filme, "O cinema falado", e prepara atualmente um livro de reflexões sobre os anos 60.